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domingo, 27 de outubro de 2013

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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Juan Luis Panero (1942-2013)

Used Words

Com palavras usadas,
gastas pelo tempo e pelo hábito,
cujo último tremor já não se sente.
Com palavras, como sonhos, queimadas pela vida,
nesta noite de chuva falo contigo,
tento falar pelo menos, ligeiramente ébrio,
construo cada sílaba no país de jamais.
E sinto essa repentina lucidez
com a qual, de súbito, quebramos a rotina de sermos e de conhecermo-nos,
sinto, digo, essa estranha sensação, distante e esvaída,
do whisky, da noite e do silêncio,
do entusiasmado desespero com que aceitamos a derrota,
dessa vertigem, às vezes, só às vezes, tua e minha,
em que morremos a sorrir com os olhos abertos.
Sinto o pouco que é um beijo no fundo da tua língua,
ou os teus olhos a olharem-se nos meus,
ou as nossas mão unidas no ar,
a percorrer um museu de admitidos fracassos.
Desfilam, batalhão desolado de fantasmas,
nomes e nomes com eco diferente.
Pretendemos, com abolidos rostos, prazos caducados, cidades impossíveis,
responder a uma velha pergunta
cuja resposta só a morte conhece já.
Anos e anos, voluntários exílios de seres e países.,
os filhos que não quis ter, os que tu tiveste,
o tremor do desejo que guardas ainda na tua pele,
o meu repetido navegar de cama em cama
reunem-se e afirmam o seu destino
diante da cerimónia do amanhecer.
E sabemos tudo e está escrito nos teus olhos,
hoje, contudo, neste dia com sol-tão raro em Bogotá-
de finais de julho, de um ano qualquer,
proponho-te o meu amor, sei que aceitarás,
com palavras usadas proponho-te mentirmo-nos.
Já passada a noite, quietos diante do espelho,
enquanto faço a barba e tu pintas os lábios,
proponho-te o meu amor, dizer que nos amamos.
Dizer-e são apenas exemplos-"hoje existe a vida para nós"
ou "tu não morrerás nunca"
ou, talvez, "ainda há noites e noites que esperam
os nossos braços, esse especial calor de dormirmos abraçados".
Esquecendo, tentando esquecer o nosso passado,
ignorando o futuro sem dúvida inalcançável,
com palavras gastas dizer e repetir
-é outro exemplo-"obrigado meu amor por teres existido".
Ao menos por um momento-não incomodamos ninguém-
com palavras usadas mentirmo-nos e mentirmo-nos,
mentirmo-nos contra o tempo, desprezar a sua vitória.

Envio:
Deixo-te este poema
confuso, absurdo, comprido,
para que tu o estendas como um lenço velho
aos pés da tua cama, para que tu o tenhas,
e um dia o encontres, confuso, absurdo, comprido,
num dia como este-quando já não estivermos-,
e recordes, debaixo do duche,
que uma vez te amei-mentiras e mentiras-,
que uma vez te amei-era um dia de julho-,
com palavras usadas como um disco riscado,
que recordes, meu amor, esta letra de tango.

Juan Luis Panero (tradução de Joaquim Manuel Magalhães)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Tristiano Ronaldo

Uma pessoa percebe que este país não vai a lado nenhum quando o locutor da Sic Notícias se lamenta repetidamente do pouco tempo que teve para debater com Ricardo Costa e Luís Duque o (supostamente) tema do dia (da semana, do ano), a conferência de imprensa de Vítor Gaspar sobre as novas medidas de austeridade -  porque antes esteve a encher chouriços com 2 paineleiros sobre o jogo da selecção durante tempos infindos até 'entrarem' em directo as declarações pós-jogo de Paulo Bento, e a seguir havia um 'especial desporto'. Pró caralho.

sábado, 23 de julho de 2011

Amy Winehouse (1983-2011)



Como li algures, o 27 Club está mais rico.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Eça em Alvalade

Na sequência da comunicação do Sporting sobre o dress code de Alvalade, eis como seria descrita uma tarde de domingo naquele sumptuoso estádio:

Sua Excelência, adornado nas vestes presidenciais, voltou-se então para o Duque, que ostentava na lapela a Comenda da Conceição: «Reparou, senhor duque, naquela bela passagem que o Sr. Carriço efectuou na direcção do Sr. Saleiro?» «Brilhante, Sr. Presidente, lembrou-me uma jogada idêntica do Sr. Hilário, em Junho de 1972. Não houve outra igual.» Só então repararam, ao mesmo tempo, que o Sr. Visconde da Graça estava sentado atrás deles, brilhando como uma camélia escarlate na tribuna, de casaca e crachat, grã-cruz sobre o colete branco, de binóculo a tiracolo, tremeluzindo de casimiras e tules. Toda a tribuna, aliás, resplandecia. Sua Excelência, que tinha recebido no telefone móvel (que logo escondera, envergonhado) uma chamada do Sr. Costinha, notara, mais abaixo, a presença da Sra. Viscondessa de Melo, nédia e branca, com o corpete negro reluzente de vidrilhos, de costas voltadas para o relvado, esperando que a primeira parte do jogo terminasse naquele empate de sportsmen educados, contra a equipa da Figueira da Foz, a Naval. O presidente da Naval aceitara as normas de vestuário do Sporting, e estava sentado, recostado na poltrona, de grande chapéu panamá, calça listrada de cheviote, o mantelete da filha no braço, o guarda-sol entre os joelhos, embora revelasse o jaquetão de veludo coçado nas entretelas. O Dr. Rogério Alves, de casaca e colete branco, limpando um resto de espuma do bock, bateu com a mão na coxa, queixando-se de um fora-de-jogo mal assinalado pelo Sr. Olegário Benquerença: «Irra!» E até o Dr. Dias Ferreira, de de grande colarinho à francesa, sobre uma jaqueta de botões amarelos, ameaçava requerimentos, contra-ordenações, queixas, o diabo, contra «esta terra de vagabundos». O Sr. Olegário Benquerença, no relvado, luzidio de suor e enfiado na sua fardeta azul de botões da regra, apitava enfim para o intervalo. O Sr. Conde de Tomar, arfando, protestava, mostrando um botão de rosa no peito da sobrecasaca muito justa e batendo no chão atapetado de Arraiolos com os seus sapatos de verniz que resplandeciam sobre as polainas de linho. O Sporting prometia. Foi quando um criado, de libré e calça listrada de vermelhos, enfiado num enorme colete branco, reteso de goma, anunciou que estavam servidos os canapés. Ouviu-se então um rumor de saias amarrotadas, senhoras que se levantavam para beber o seu capilé, as suas groselhas, enquanto – de olhar lânguido, mas severo, preocupado – Sua Excelência, com o paletó todo abotoado, com a gola engomada, quase escondendo a gravata verde, murmurava ao telefone para o Sr. Costinha: «Ah, meu preclaro director, imagine que eu vi por aqui um cavalheiro de paletó sem jaqueta por baixo, com a calça repuxada a deixar ver as peúgas. Que vergonha, que vergonha. Queira proceder. Mande a guarda, mande a guarda!»

terça-feira, 4 de maio de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

J.D. Salinger (1/1/1919 - 27/1/2010)



J.D.Salinger morreu. Também eu fiquei fascinado quando li este 'livro de culto'.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Viva o futebol português!



e ainda...



http://www.youtube.com/watch?v=xK6nCGYB8Yw

http://www.youtube.com/watch?v=CZAd9kYN5Z0

http://www.youtube.com/watch?v=qgwoQoNmT6U

http://www.youtube.com/watch?v=G5EMtn0EAYc

http://www.youtube.com/watch?v=wq87BdP3AaM

http://www.youtube.com/watch?v=dCvn2tEEj3E

http://www.youtube.com/watch?v=P2dX61WvLDE

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

1920-2010



Morreu Eric Rohmer.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Patrick Swayze



RIP 1952-2009

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Ípsilon



O Ípsilon de hoje tem 3 (três) críticas de livros.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Uma notícia muito, muito triste


Ninguém em Portugal escreve como ele escrevia. Sobre cinema e sobre tudo o resto.

Morreu João Bénard da Costa