domingo, 31 de janeiro de 2010

Janeiro



Invisível, Paul Auster (4/5)
O Sindicato dos polícias Iídiches, Michael Chabon (4/5)
Poe, Uma vida abreviada, Roger Ackroyd (3/5)
Proust era um neurocientista, Jonah Leher /5/5)
Sarrazine, Honoré de Balzac (seguido de Cultos do sexo e da beleza-Balzac, Camille Paglia) (4/5)

Finalmente gostei de um livro de Paul Auster. No fundo, sempre achei que se seleccionasse criteriosamente, um dia encontraria um livro dele bom. Um escritor com um universo tão cinéfilo não podia ser mau de todo. De resto o meu livro do mês foi o de Jonah Leher, que me pareceu notável a todos os níveis. Já a primeira biografia que li do 'celebrado' Roger Ackroyd me desiludiu um pouco. Tanto me pareceu que era omisso em informações sobre Poe, como que deduzia abusivamente sobre uma série de aspectos. Claro que o trabalho de um bom biógrafo também é especular e tapar buracos, mas aqui fiquei muitas vezes com a sensação que as opiniões de Ackroyd entravam em contradição com os factos apresentados pelo próprio. Achei no entanto comovente o seu denodado esforço em tentar convencer-nos que, não obstante Poe ser um bebedor inveterado, não era um alcoólico- opinião que todos os seus conterrâneos, do padrasto aos diversos chefes, achariam sem dúvida aberrante.

Entretanto, embora ainda vá a meio de Neve, e esteja ainda a acabar Hannah Arendt e Martin Heidegger, bem como as Conversas com Pedro Almodóvar, lancei-me na leitura do mastodôntico 2066. Comentários next month.



Erva - 1ª temporada (4,5/5)

É raro seguir uma série até ao fim, no total tê-lo-ei feito uma meia dúzia de vezes. A última foi Dexter e, a julgar pela primeira temporada, a próxima é Erva. Há muito tempo que não via nada tão politicamente incorrecto.




Um profeta, Jacques Audiard, 2009 (8,5/10)
Estrela cintilante, Jane Campion, 2009 (7,5/10)
O joelho de Claire, Eric Rohmer, 1970 (8/10)
O laço branco, Michael Haneke, 2009 (8/10)
Nas nuvens, Jason Reitman, 2009 (6/10)
Má educação, Pedro Almodóvar, 2004 (8,5/10
Um, dois, três, Billy Wilder, 1961 (8,5/10)
Cenas da vida conjugal, Ingmar Bergman, 1960 (10/10)
Zombieland, Ruben Fleischer (6,5/10)

'Cenas da vida conjugal' é um Bergman dos Bergmans. Já 'O joelho de Claire' tem a personagem mais irritante da filmografia de Rohmer (e Deus sabe que ele tem muitas), Jerome, o barbudo que se entretém a seduzir adolescentes 'por desafio'. É um dos Rohmer mais famosos, pelo menos na blogosfera lusa, mas nem de longe entrou para o lote dos meus preferidos do mestre francês.

Além dos acima classificados ainda vi na diagonal, em fast forward, se se pudesse fazer ff no PC, 'Avere vent´anni' e 'Porno Holocaust' . Estes filmes divertem-me mas descobri que não tenho paciência para os ver sozinho. Bons tempos em que passava as tardes de Sábado a beber vinho tinto e a assistir a filmes deste calibre com uma amiga. Mas ela agora é casada e mãe de filhos e eu nunca mais a vi.

4 comentários:

José disse...

Puseste-me a fazer a minha lista, também. Vi 23 filmes, li 2 romances e 3 peças. Foi um mês cheio. Isto faz-me lembrar que estou no último dia de férias, o que dói.
Tenho que ver esse do Bergman. Do que vi dele, ainda não me conquistou.
E do Pamuk, que estás a achar? É que entretanto saiu da minha lista de 2011 para a de 2010.

rui disse...

Estou a gostar, mas não tanto como achei que iria gostar.

pmramires disse...

O Jerome não sei se é o mais irritante, porque não vi muitos filmes do Rohmer, mas também me irritou um pouco. O Humbert Humbert é muito mais felino e não se põe cá com merdas.
Pode-se perfeitamente não gostar. Pode-se, inclusivé, odiar. Mas, pa, isto são os contos morais e isto é Rohmer. A ele não lhe interessava, porque questões de sensibilidade mas não só, mostrar o "crime". O Rohmer interessa-se essencialmente (e como quase sempre) pelo que se passa na cabeça de um homem (ou de um rapaz)enquanto passeia pela linha da dúvida ao lado da infracção moral. Sempre ao lado. Testa, ao limite, a rigidez das comportas, a capacidade de cumprir um código ético.
Por exemplo, também me irritou um pouco o Jean-Louis (A minha noite em casa de Maud) ter resistido a Maud naquela noite, mas é nisso que reside a magia do filme. Se bem que "A minha noite em casa de Maud" é um filme à parte. Uma obra de génio.

Bem, meus amigos, vou dormir.

rui disse...

Como tu próprio disseste a propósito do 'Ligações perigosas', eu sou um bocado displicente a falar sobre filmes, e depois apanho lições destas, he he. É por isso que o melhor deste blog são os seus comentadores.