domingo, 28 de junho de 2009

Herzog (3)



[Werner Herzog] era também a única pessoa com quem podia conversar de igual para igual sobre o que eu chamaria o aspecto sacramental da marcha. Partilhávamos da crença que o andar não é uma simples terapia, mas uma actividade poética capaz de curar o mundo dos seus males.
[...]
Um bom exemplo desta filosofia é a sua peregrinação, todos os invernos, para ver Lotte Eisner.

Lotte Eisner, crítica cinematográfica e colaboradora de Fritz Lang em Berlim, emigrou em princípio dos anos 30 para Paris, onde ajudou a fundar a Cinémathèque. Muito mais tarde, escreveu para Lang, que vivia na Califórnia, depois de ter visto o filme de Werner Sinais de Vida: "Vi a obra de um maravilhoso realizador alemão". Lang respondeu: "Não. É impossível".
[...]
Em 1947 (*), ao saber que ela estava a morrer, Werner pôs-se a caminho a pé, de Munique a Paris, convencido que daquela maneira a poderia curar. Quando chegou ao apartamento de Lotte, ela já se sentia melhor e viveu ainda uma dezena de anos.

(*) Há aqui uma gralha óbvia da edição portuguesa; deve ser 1974.

"Werner Herzog no Gana" in "O que faço eu aqui", de Bruce Chatwin, Quetzal Editores

sexta-feira, 26 de junho de 2009

quinta-feira, 25 de junho de 2009

9 canções



Só as pessoas infelizes dançam mal.

(gostei bem mais deste filme à segunda visão. pareceu-me tão menos superficial)

terça-feira, 23 de junho de 2009

Ligações perigosas

‘Ligações Perigosas’ (‘State of Play’) é um bem oleado exemplar daquele género americano que pega numa investigação jornalística para denunciar um esquema envolvendo o famoso cocktail grande capital/politica/guerra (guerra=$$$). Há uma actualização aos novos tempos, e ao habitual jornalista veterano/pouco cumpridor das regras dum grande diário, contrapõe-se a habitual novata/certinha…da edição online.

O filme começa em grande ritmo, depois abranda um pouco, e termina com um twist bastante cínico. Russel Crowe mostra-se em boa forma e Rachel McAdams não desmerece, num elenco que inclui ainda nomes como Ben Affleck, Helen Mirren ou Jeff Daniels.

Mas a maior fonte de prazer do filme é mesmo Robin Wright Penn (ao que parece ex-Penn desde o ano passado –Sean, Sean…(*)), que aos 43 anos permanece uma das mais sensuais mulheres de Hollywood.

(*) Entretanto uma amiga bem informada diz-me que já houve reconciliação. Bem hajam.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Herzog (2)

Em termos mais simples, diria que o documentário [Little Dieter Needs to Fly, 1997] é um remake do filme de ficção [Rescue Dawn, 2006] mas, claro, nenhum é um remake do outro porque são tão diferentes.

Werner Herzog in 'Sinais de vida. Werner Herzog e o cinema', Edições 70/Indie Lisboa

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Herzog

Em Lektionen in Finisternis cita uma frase de Pascal que, na verdade, foi escrita por si. Porquê?

Herzog: Porque ele não a poderia ter dito melhor.

In 'Sinais de vida. Werner Herzog e o cinema', Edições 70/Indie Lisboa

domingo, 14 de junho de 2009

Feira do Livro do Porto



Fui ontem, penúltimo dia em que esteve aberta, à Feira do Livro do Porto. Talvez por ser início da tarde, com bastante calor, estava relativamente pouca gente, com ar desinteressado. Por volta das 4 horas ainda se juntaram meia dúzia de pessoas na Praça central, onde haveria uma sessão de autógrafos com Ricardo Araújo Pereira (era o livro dele que essas pessoas tinham na mão), Pedro Mexia e Carlos Vaz Marques. Aguardei numa sombra perto, com o intuito de tirar umas fotos e talvez pedir a Pedro Mexia que me autografasse o Estado Civil (que iria buscar ao carro), mas por volta das 4h30 desmontaram o tasco e as pessoas debandaram. Não cheguei a perceber se a sessão foi cancelada ou apenas adiada. Na instalação sonora nada foi anunciado, pelo menos até eu vir embora (logo de seguida).

Quanto à feira, é sem dúvida melhor ocorrer ao ar livre que no forno do Rosa Mota - ao fim da tarde ou à noite deve ser bastante agradável. De resto pareceu-me algo pobrezinha, não gostei especialmente das barracas, pequenotas, e quanto à praça Leya que pelo menos em Lisboa parece que suscitou algum burburinho, nem me aqueceu nem arrefeceu. Aliás só me apercebi que estava na dita praça quando vi uma barraca central com a caixa, de resto pareceu-me uma sucessão de pavilhões semelhantes aos outros todos. O conteúdo geral era fracote, com mais novidades que fundo de catálogo, mas diga-se em abono da verdade que essa era uma característica geral de toda a feira. Deve ter sido a primeira vez em que não encontrei nada imprevisto para comprar.

Uma característica negativa é a ausência de um mapa com a localização das editoras (eu pelo menos não encontrei nenhum). Pelo menos no Rosa Mota estava escrito à entrada de cada corredor quais as editoras lá localizadas. Assim sendo cheguei ao fim da 'primeira volta' sem ter encontrado duas das editoras onde costumo perder mais tempo: A Cotovia e a Assírio & Alvim. Reparei depois que me faltava explorar um canto da feira, no cimo dos Aliados, onde estavam precisamente estas editoras (a Cotovia juntamente com a Tinta da China). Mas não tive sorte com nenhuma: tinha esperança de encontrar o Século Passado do Jorge Silva Melo como livro do dia, mas estes eram a Ilíada e a Odisseia; na A&A estava de olho nas Memórias de um nómada do Paul Bowles e no Mundo de ontem do Stefan Zweig, mas não só nenhum deles era o livro do dia (o que seria uma sorte), como nem sequer os vi à venda! Na verdade já tinha espreitado quais seriam os livros do dia destas editoras, mas nenhuma delas o indicava no site da feira...

Tive mais sorte noutra das minhas editoras, a Relógio d'Água , onde encontrei o Ofício de Viver do Pavese por 7,5€ (que até estava em destaque, o que foi uma sorte, pois estava convencido que era uma edição da Cotovia...). De resto a Teorema não estava presente, não sei porquê, mas ainda encontrei um Martin Amis (Koba o Terrível) por 5€ num stand das 'Pequenas editoras'!

Ainda nas editoras cá da casa, a maior desilusão da feira foi em dúvida a Quetzal. Embora na barraca que partilhava com a Bertrand tivesse supostamente um lado seu, os livros estavam todos misturados, tendo tido alguma dificuldade em encontar os que me interessavam e, mais grave, apenas tinham marcado o 'preço de feira', sendo assim impossível saber qual o desconto aplicado. Situação tanto mais insólita quanto não a encontrei em mais nenhuma editora... Assim sendo, embora fosse de olho em pelo menos três livros (um Theroux, um Chatwin e o 'Breviário Mediterrânico') resolvi não comprar nenhum.

Contas feitas, fui algo parcimonioso, embora reconheça que não estava muito no modo compras. Além do Amis e do Pavese já mencionados, apenas comprei o livro sobre o Werner Herzog nas Edições 70 e o Guia da Índia do American Express com os 20% de desconto da praxe. Para o ano há mais.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Ípsilon



O Ípsilon de hoje tem 3 (três) críticas de livros.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Da relação entre os filmes e o sítio onde os vemos


A primeira vez que vi Death Proof foi em antestreia nacional no Festival de Curtas de Vila do Conde. Um público entusiasta e fanático de Tarantino vibrou ao longo de todo o filme e delirou na cena final, que teve direito a hurras e aplausos (1). Depois vi-o no circuito comercial, numa sala não muito cheia mas ainda assim com o público a aderir totalmente, tendo uma vez mais a cena final sido brindada com aplausos (2). E agora vi-o em casa em dvd e pela primeira vez desiludiu-me um pouco. Sem aquele ambiente vibrante, sem o grande ecrã, não me soube ao mesmo. Quem disse que só os Technicolors e afins não são a mesma coisa num ecrã pequeno?

Notas de rodapé, à maneira de Martin Amis:
(1) Geralmente o ambiente nos festivais é propício a valorizar os filmes, mas nem sempre. Ultimamente no Fantas, tenho reparado numa tendência irritante do público para se rir em todas as cenas e mais algumas, mesmo quando não metem piada nenhuma. É uma atitude condescendente e parva que já me levou a embicar com alguns filmes. Por outro lado, não teria aguentado a Maratona Zombie em Sitges sem o público espectacular, muito dele vindo directamente da marcha zombie, que enchia uma sala decadente no centro da vila, e se manteve a noite toda em grande forma, aplaudindo, comentando, berrando, gritando olés... E quase sempre oportunamente!

(2) Claro que as salas têm a desvantagem do cheiro das pipocas, das pessoas a conversar, dos telemóveis a tocar... Não é fácil arranjar o ideal, uma sala composta, mas com uma assistência educada.

quinta-feira, 4 de junho de 2009