
Fui ontem, penúltimo dia em que esteve aberta, à Feira do Livro do Porto. Talvez por ser início da tarde, com bastante calor, estava relativamente pouca gente, com ar desinteressado. Por volta das 4 horas ainda se juntaram meia dúzia de pessoas na Praça central, onde haveria uma sessão de autógrafos com Ricardo Araújo Pereira (era o livro dele que essas pessoas tinham na mão), Pedro Mexia e Carlos Vaz Marques. Aguardei numa sombra perto, com o intuito de tirar umas fotos e talvez pedir a Pedro Mexia que me autografasse o Estado Civil (que iria buscar ao carro), mas por volta das 4h30 desmontaram o tasco e as pessoas debandaram. Não cheguei a perceber se a sessão foi cancelada ou apenas adiada. Na instalação sonora nada foi anunciado, pelo menos até eu vir embora (logo de seguida).
Quanto à feira, é sem dúvida melhor ocorrer ao ar livre que no forno do
Rosa Mota - ao fim da tarde ou à noite deve ser bastante agradável. De resto pareceu-me algo pobrezinha, não gostei especialmente das barracas, pequenotas, e quanto à praça Leya que pelo menos em Lisboa parece que suscitou algum burburinho, nem me aqueceu nem arrefeceu. Aliás só me apercebi que estava na dita praça quando vi uma barraca central com a caixa, de resto pareceu-me uma sucessão de pavilhões semelhantes aos outros todos. O conteúdo geral era fracote, com mais novidades que fundo de catálogo, mas diga-se em abono da verdade que essa era uma característica geral de toda a feira. Deve ter sido a primeira vez em que não encontrei nada imprevisto para comprar.
Uma característica negativa é a ausência de um mapa com a localização das editoras (eu pelo menos não encontrei nenhum). Pelo menos no
Rosa Mota estava escrito à entrada de cada corredor quais as editoras lá localizadas. Assim sendo cheguei ao fim da 'primeira volta' sem ter encontrado duas das editoras onde costumo perder mais tempo:
A Cotovia e a
Assírio & Alvim. Reparei depois que me faltava explorar um canto da feira, no cimo dos Aliados, onde estavam precisamente estas editoras (a Cotovia juntamente com a
Tinta da China). Mas não tive sorte com nenhuma: tinha esperança de encontrar o
Século Passado do Jorge Silva Melo como livro do dia, mas estes eram a
Ilíada e a
Odisseia; na A&A estava de olho nas
Memórias de um nómada do Paul Bowles e no
Mundo de ontem do Stefan Zweig, mas não só nenhum deles era o livro do dia (o que seria uma sorte), como nem sequer os vi à venda! Na verdade já tinha espreitado quais seriam os livros do dia destas editoras, mas nenhuma delas o indicava no
site da feira...
Tive mais sorte noutra das
minhas editoras, a
Relógio d'Água , onde encontrei o
Ofício de Viver do Pavese por 7,5€ (que até estava em destaque, o que foi uma sorte, pois estava convencido que era uma edição da Cotovia...). De resto a Teorema não estava presente, não sei porquê, mas ainda encontrei um Martin Amis (
Koba o Terrível) por 5€ num
stand das 'Pequenas editoras'!
Ainda nas editoras cá da casa, a maior desilusão da feira foi em dúvida a
Quetzal. Embora na barraca que partilhava com a Bertrand tivesse supostamente um lado seu, os livros estavam todos misturados, tendo tido alguma dificuldade em encontar os que me interessavam e, mais grave, apenas tinham marcado o 'preço de feira', sendo assim impossível saber qual o desconto aplicado. Situação tanto mais insólita quanto não a encontrei em mais nenhuma editora... Assim sendo, embora fosse de olho em pelo menos três livros (um Theroux, um Chatwin e o 'Breviário Mediterrânico') resolvi não comprar nenhum.
Contas feitas, fui algo parcimonioso, embora reconheça que não estava muito no
modo compras. Além do Amis e do Pavese já mencionados, apenas comprei o livro sobre o Werner Herzog nas
Edições 70 e o
Guia da Índia do
American Express com os 20% de desconto da praxe. Para o ano há mais.