quinta-feira, 23 de julho de 2009

Brüno

'Brüno' está para 'Borat' como 'Fahrenheit 9/11' está para 'Sicko': os métodos são os mesmos, mas o primeiro citado é muito mais divertido que o segundo. E não trago Michael Moore à colação por acaso. Os filmes do documentarista americano parecem-me mesmo ser a maior influência dos do comediante britânico. E cada um que infira o que quiser.


terça-feira, 21 de julho de 2009

Filmaço (*)



(*) Combinou espectacularmente com um Planalto fresquinho.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Os Maias

A entrar de férias, apeteceu-me reler 'Os Maias'. As anteriores vezes li-o numa edição (penso que do Circulo de Leitores) já com a capa descolada do uso, que havia (há?) em casa dos meus pais. De modo que resolvi dirigir-me a um shopping para adquirir um exemplar: para meu pasmo não existia tal coisa, nem na Bertrand nem na Fnac! He pá, é impressão minha ou é mais ou menos a mesma coisa que entrar numa qualquer bookstore inglesa e não encontrar o 'Hamlet'?

P.S.: No Feira Nova, onde dei um salto para comprar umas garrafas de vinho, havia duas edições diferentes, mas de bolso, o que implica um tijolo pouco legível. Vou procurar agora noutras livrarias cá da terra. (à suivre)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Canção de amor e saúde

Depois do excelente ‘Rapace’, “CANÇÃO DE AMOR E SAÚDE” foi para mim uma grande desilusão. Esta curta tem semelhanças com a anterior – João Nicolau é um realizador, para não dizer que é um auteur : dá-nos o retrato de uma geração (glup!) através de uma mera personagem; mantém um tom joãocesarmonteiriano e original ao mesmo tempo; e saca da cartola planos fantásticos (a sequência dos créditos iniciais é uma ideia magnifica).

Mas perde a concisão do filme anterior e entra em devaneios escusados e que para mim não fizeram qualquer sentido. Dá a ideia que tinha filme para 10 minutos e resolveu esticá-lo para meia hora, enchendo o tempo com sequências por vezes bonitas mas que esquecem o excelente inicio. Ou se calhar o que lhe interessava era filmar essas sequências surreais, os raccords pouco usuais, os planos estranhos e arranjou uma história à sua volta. Seja como for nunca me pareceu bater a bota com a perdigota, diluindo-se muita da originalidade que lhe reconheci em ‘Rapace’.

‘Rapace’ parecia um filme da maturidade, ‘Canção de amor e saúde’ parece um filme dum puto talentoso a armar ao pingarelho.

(HM)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Mau sinal

Quando ia ao cinema regularmente (umas duas vezes por semana, durante anos, até este ano) só muito, muito raramente saía antes do fim. Mas desde que practicamente passei a ver filmes apenas em casa, já perdi a conta à quantidade dos que deixei a meio (com a agravante de a maioria serem clássicos). Faço uma pausa e depois pura e simplesmente não me apetece retomar a sua visão. Mau sinal.

sábado, 4 de julho de 2009

Biblioteca pessoal

Ocorre-me à ideia o moralista Joseph Joubert, cujos hábitos de leitura foram descritos por Chateaubriand: "Quando lê, rasga dos livros as páginas de que não gosta, e assim vai compondo uma biblioteca pessoal feita de volumes desventrados com capas avantajadas."

Alberto Manguel, in 'No Bosque do Espelho', Publicações D.Quixote

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Conto de Inverno




99% dos filmes são aquilo a que simplificadamente podemos chamar ‘machistas’. Ou seja, neles as relações são conduzidas, ou pelo menos dominadas, pelo homem.

Uma das mais notáveis excepções que conheço é ‘Conto de Inverno’, a obra-prima de Rohmer de 1992, segundo dos seus ‘Contos morais’.

A personagem de Loic (Hervé Furic), é admirável nesse sentido. Apaixonado por Felicie (Charlotte Véry), dá-lhe aquilo que a lenda pretende que as mulheres exigem acima de tudo: segurança e um amor tranquilo.

Mas Felicie não se contenta de forma alguma com isto. Vai mantendo uma relação com Loic, mas não só sonha com um amor antigo de que perdeu o rasto devido a uma estupidez, como mantém um outro caso com um homem casado (com o conhecimento de Loic). Loic suporta estas contrariedades (que nenhum ‘macho standard’ do cinema aceitaria) e vai tentando conquistar Felicie precisamente dando-lhe o tal amor tranquilo e a tal segurança. Por vezes estas bastam a Felicie, que fica tocada por elas e sente sem duvida um especial carinho por Loic, sentimento a que ele se agarra convictamente, e com o qual tenta convencer Felicie a ficar com ele.

Esta sua pressão discreta e suave intensifica-se quando, depois de uma experiência falhada com o seu amante casado, Felicie volta temporariamente para ele. Ele é compreensivo, terno, dá-lhe todo o apoio e ela vai-se deixando ir. Sem dúvida que Loic nesta altura pensa que a conquistou de vez, mas o espectador já sabe que não. Não por saber algo que ele não sabe, mas sim porque nesta altura já a conhece melhor do que Loic. Ou pelo menos consegue analisá-la melhor que este, sem precisar de se agarrar a todas as pontas para se auto-iludir.

Note-se que Rohmer tem o cuidado de nos mostrar que Loic não tem esta atitude por falta de opção. É bem-parecido, movimenta-se num círculo culto (é um intelectual, ao contrário de Felicie) e trabalha num ambiente jovem e rodeado de mulheres.

O filme não se reduz a esta relação e talvez o foco de Rohmer seja mesmo o facto de alguém esperar convicta e teimosamente por outra pessoa (pela pessoa) contra todas as probabilidades. Há algo de religioso em Felicie, como em tantas personagens do realizador.

Mas a mim parece-me que Loic nunca conseguiria dela um compromisso para a vida, fossem quais fossem as circunstâncias, existisse ou não existisse o fantasma desse amor antigo. Felicie não estava apaixonada por ele, ponto final. Eu conheço casos destes. Mas no cinema, são raros.
É também por isso que ‘Conto de Inverno’ é um dos filmes que mais amo. Como eu entendo Loic.

aqui falei do Um chá no deserto. Agora roubei esta posta ao mais efémero (1 dia), mais deprimente e, já agora, mais bonito, dos meus ex-blogues. (e reparo agora numa tendência fanática e pouco imaginativa de roubar nomes a filmes para baptizar os ditos cujos)