Sem entrar em lugares-comum (nossa senhora, quantos vai haver) ou repetir o que já disse antes, hoje, apetece-me recordar alguns episódios:
1) A lágrima que julgo ter visto no seu rosto no final de "It´s a Wonderful Life", quando projetado no ciclo de 50 da Gulbenkian - na trigésima, quadragésima, septuagésima vez que terá visto o filme?
2) Os 5, 10 minutos que levou a falar de "Phaedra", de Jules Dassin, quando o filme a ser exibido era o "Night and the City". Ninguém ousou corrigi-lo.
3) A segunda vez que vi o "Nosferatu", de Murnau, na Cinemateca. Por alguma razao, 80% de uma sala bem composta rondava os 20 anos e muito se riu nessa projeccao. Quando as luzes se acenderam, ele olhou para trás (sentava-se à frente) com um rosto triste, olhando os rostos alegres. Em seguida, encontrámos o rosto triste um do outro e fixámo-nos dois, três segundos.
4) Vítor Goncalves, comovido, a agradecer a análise de Bénard a "Uma Rapariga no Verao", dizendo que Bénard o ajudou muito a compreender o seu próprio filme.
5) A história do Johnny Bénard, que suponho que contaria a cada exibicao do "Johnny Guitar". A primeira vez que vi o filme foi lá. Nao programem agora o filme.
6) A forma tosca como mexe o acúcar no café, em "Recordacoes da Casa Amarela".
Daniel Pereira
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Maneiras idiotas de passar o tempo

Rui took the Which cult movie character are you? quiz and the result is Max Fischer
From "Rushmore." While you're not quite the most intelligent person around, you do strive in the extra-curriculars. You excel in expressing your taste for theater, but you just can't seem to woo the woman you really desire.
From "Rushmore." While you're not quite the most intelligent person around, you do strive in the extra-curriculars. You excel in expressing your taste for theater, but you just can't seem to woo the woman you really desire.

Rui completed the quiz "Que personagem do Freeport és tu?" with the result Sócrates.
És Sócrates, o nome mais mediático ligado ao caso Freeport. Sem ti o caso não era caso e as lojas já tinham todas fechado. Parabéns! .
Rui just took the "Which Famous Poet Are You?" quiz and the result is Robert Frost.
At the time of his death in 1963, Robert Frost was considered a kind of unofficial poet laureate of the US. In his poems Frost depicted the fields and farms of his surroundings, observing the details of rural life, which hide universal meaning.
At the time of his death in 1963, Robert Frost was considered a kind of unofficial poet laureate of the US. In his poems Frost depicted the fields and farms of his surroundings, observing the details of rural life, which hide universal meaning.
Rui took the Who Should Direct the Movie of Your Life? quiz and the result is Orson Welles- Frustrated Genius
If you care about social issues, are a brilliant conversationalist, a visionary who sees things that no one else gets, Orson Wells is your man.
If you care about social issues, are a brilliant conversationalist, a visionary who sees things that no one else gets, Orson Wells is your man.

Rui completed the quiz "Sete Palmos, que personagem serás?" with the result Claire.
se és esta personagem, de certeza que tens dentro de ti sempre um turbilhão de emoções, no entanto és uma pessoa com um carácter forte e que luta sempre por aquilo que quer. Não te importas de maneira nenhuma com aquilo que pensam de ti e foges à norma sempre..
Rui completed the quiz "What David Lynch Movie are you?" with the result Lost Highway.
You are tortured and artistic, stylish and beautiful, and at moments can be vile and wicked. You realized that Robert Blake could be scary even before he was accused of shooting his wife..
You are tortured and artistic, stylish and beautiful, and at moments can be vile and wicked. You realized that Robert Blake could be scary even before he was accused of shooting his wife..
quarta-feira, 27 de maio de 2009
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Stopping by Woods on a Snowy Evening
Whose woods these are I think I know.
His house is in the village though;
He will not see me stopping here
To watch his woods fill up with snow.
My little horse must think it queer
To stop without a farmhouse near
Between the woods and frozen lake
The darkest evening of the year.
He gives his harness bells a shake
To ask if there is some mistake.
The only other sound’s the sweep
Of easy wind and downy flake.
The woods are lovely, dark and deep.
But I have promises to keep,
And miles to go before I sleep,
And miles to go before I sleep.

Numa vida passada ainda postei "Um poema de que gosto muito num filme de que gosto muito (I)", que se ficou mesmo pelo (I) devido à vida efémera do Chá.
Entretanto encontro aqui uma muito completa lista de poemas em filmes, com alguns contributos já adicionados. Parece-me no entanto que ainda ninguém se lembrou do poema acima, de Robert Frost, citado em Death Proof , de Tarantino. Aqui fica a minha sugestão.
His house is in the village though;
He will not see me stopping here
To watch his woods fill up with snow.
My little horse must think it queer
To stop without a farmhouse near
Between the woods and frozen lake
The darkest evening of the year.
He gives his harness bells a shake
To ask if there is some mistake.
The only other sound’s the sweep
Of easy wind and downy flake.
The woods are lovely, dark and deep.
But I have promises to keep,
And miles to go before I sleep,
And miles to go before I sleep.

Numa vida passada ainda postei "Um poema de que gosto muito num filme de que gosto muito (I)", que se ficou mesmo pelo (I) devido à vida efémera do Chá.
Entretanto encontro aqui uma muito completa lista de poemas em filmes, com alguns contributos já adicionados. Parece-me no entanto que ainda ninguém se lembrou do poema acima, de Robert Frost, citado em Death Proof , de Tarantino. Aqui fica a minha sugestão.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Esplendor na relva
Nos anos anteriores à minha partida para o estrangeiro, a Cinemateca, mesmo durante os largos meses em que por motivo de obras as projecções eram no Palácio Foz nos Restauradores, era já um dos meus locais de eleição. Guardo inclusive, e religiosamente, os papéis-craft da programação de Janeiro de 2001 a 2006, que por volta do ano 2002 sofreram uma ligeira alteração no design gráfico. Para melhor, pareceu-me. Guardo todos os meses, salvo um; por causa de uma antiga namorada que o rasgou na Avenida de Roma em frente ao Frutalmeidas. De todos estes anos, para além de filmes e ciclos, também me recordo dos textos fotocopiados que acompanhavam as projecções. Textos construídos em volta de uma paixão pelo medium; histórica e conceptual. Textos que me ajudaram a ver o então invisível, a compreender o (muitas vezes) incompreensível. Textos que elevavam os detalhes, os pequenos-nadas e revelavam aquilo que aprendi a procurar e respeitar como a outra face do cinema. Textos de João Bénard da Costa.Quando há pouco conversava com o meu Pai sobre a morte de JBC compreendi verdadeiramente a dimensão do seu alcance pedagógico intergeracional. Foi seu professor no Conservatório de Lisboa nos anos 1970, fiquei a saber. De História da Cultura, acrescentou.Pelos seus textos, foi meu também. Trinta anos depois.
Pedro Duarte Bento
Pedro Duarte Bento
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Eu era feliz e ninguém estava morto
No tempo em que O Independente era o «meu» jornal – quando eu tinha 15, 16, 17 anos – havia três cronistas que eu lia sempre e à frente do resto: o Miguel Esteves Cardoso, o Vasco Pulido Valente e o Bénard da Costa. (Pela minha saúde, naquele tempo eu nem sabia quem era o Paulo Portas.) E nunca depois «tive» um jornal como naquele tempo «tinha» O Independente. O MEC já vinha de trás, da «Causa das Coisas» no Expresso, e a importância que teve para as pessoas da minha geração que gostavam de jornais é impossível de quantificar. O Vasco Pulido Valente foi marcante; talvez nessa idade, eu (como muitos?) tivesse começado a escrever sobre política tendo-o a ele como modelo (depois, a devoção tornou-se mais esbatida). Mas a educação mais séria, mais profunda, culturalmente mais ampla, recebi-a do Bénard da Costa, com as crónicas de jornal (relidas em livro muitos anos mais tarde), a Cinemateca (que nessa altura comecei a frequentar) e as famosas «folhas» que na Cinemateca sempre acompanham os filmes.Nesse sentido, é muito pouco provável que exista alguma personalidade pública em Portugal a quem eu deva tanto como ao Bénard da Costa. Sem gostar de vídeo nem de DVD, praticamente todos os filmes que vi fora do circuito comercial passaram na Cinemateca; os meus conhecimentos e as minhas lacunas refletem em parte (refletem modestamente) os gostos, as escolhas, as idiossincrasias do diretor da Cinemateca Portuguesa; o cânone a que me habituei é o dele. O olhar do Bénard estimulou o meu interesse propriamente estético, propriamente visual, sobre os filmes (o deslumbramento perante a imagem na sala escura – desculpem o cliché). Acima de tudo, os textos do Bénard abriam caminhos à interpretação dos filmes, que estavam muito além de «gostar ou não gostar», e ainda muito além dos factos e dos nomes relativos à história do cinema.A partir da história na tela, o Bénard criava uma outra história, que eram os seus textos. Não foram poucas as vezes que as folhas do Bénard me pareceram tão notáveis enquanto textos como os filmes a que se referiam me pareciam geniais enquanto filmes. Outras vezes, mesmo recentemente, os textos do Bénard foram para mim o highlight, depois de uma sessão que me entusiasmasse pouco. E houve pelo menos um filme (Fortune Cookie, de Billy Wilder, com Jack Lemmon e Walter Matthau) em que ainda estou convencido de que a interpretação do Bénard na folha estava errada, assente num equívoco de tradução de uma palavra. Mas não importa, ou melhor: é isso mesmo que importa: não era menos estimulante e extraordinária por isso.No melhor livro que li no ano passado (Comment parler des livres que l’on n’a pas lus?), Pierre Bayard defende provocatória e insistentemente que o que interessa não é o livro que está escrito, mas o que fazemos a partir do que está escrito. (Nunca se deve ler durante mais do que seis minutos seguidos: estiola a imaginação). O Bénard era a demonstração desta regra. Ele não se limitou a ver filmes, ele viu os filmes, como um trabalho ativo, criativo, construiu as histórias, as interpretações, as leituras – e meteu-se todo lá dentro daquilo. Deu-nos a ver: os filmes e os textos, as duas coisas ligadas, duas coisas autónomas, as duas coisas funcionando na cabeça dele. Não é talvez de espantar que, para ele como para mim e para muitas pessoas, a Cinemateca e a pessoa do Bénard se tenham nalguma medida confundido.Além disto tudo, era ainda um intelectual de dimensão ampla, que cruzou grande parte dos acontecimentos culturais e até políticos que marcaram a segunda metade do século XX português.
A dívida que muitos temos com o Bénard da Costa é enorme. Mas a herança que ele deixa, o seu impacto, as suas repercussões, estou convencido de que é profunda. Obrigado.
Ivan Nunes
ps.: Hoje, às 23h38, documentario de José Carlos Santos sobre a vida de João Bénard da Costa. Na 2.
A dívida que muitos temos com o Bénard da Costa é enorme. Mas a herança que ele deixa, o seu impacto, as suas repercussões, estou convencido de que é profunda. Obrigado.
Ivan Nunes
ps.: Hoje, às 23h38, documentario de José Carlos Santos sobre a vida de João Bénard da Costa. Na 2.
Uma notícia muito, muito triste

Ninguém em Portugal escreve como ele escrevia. Sobre cinema e sobre tudo o resto.
Morreu João Bénard da Costa
quarta-feira, 20 de maio de 2009
La Bella Italia

Este fim-de-semana, um bocado por acaso, acabei por ver dois filmes italianos. O primeiro, visto no Cidade do Porto, foi ‘Almoço de 15 de Agosto’, que disputará com ‘Um dia de cada vez’, de Mike Leigh, o título de feel good movie do ano. Cada vez gosto mais de filmes assim, com pouco espalhafato, despojados, assentando nos actores (destaque inevitável para o actor-realizador Gianni Di Gregorio) e numa câmara cúmplice. Já por isso, num registo muito diferente, tinha gostado tanto de ‘O casamento de Rachel’. O segundo filme, visto em casa de uma amiga, foi o a todos os títulos extraordinário ‘Passarinhos e passarões’ do grande Pasolini. Aquele indescritível genérico cantado é qualquer coisa… E que mais dizer de um filme que tem como personagens Totó e um corvo marxista?
A propósito disso, resolvi fazer uma lista ‘instantânea’ (sem consultar nada, só o que me vem à cabeça) dos 10 filmes italianos que mais gosto. Cá vai:
1. Eclipse, Antonioni
e La Dolce Vita, Fellini
3. Outono escaldante, Zurlini
4. Bianca, Nanni Moretti
5. Os contos de Canteburry, Pasolini
6. Amarcord, Fellini
7. Verão violento, Zurlini
8. Identificação de uma mulher, Antonioni
9. Querido Diário, Nanni Moretti
10. O Mercenário, Damiani Damiano
Acabou por não sair (da cabeça; ou entrar, na lista) nenhum Argento, de quem gosto de vários filmes, para dar um ar de cinéfilo moderno daqueles que o ipsilon falava este fim-de-semana. Mas saiu (ou entrou) um western spaghetti, curiosamente não um Leone. Coisas.
A propósito disso, resolvi fazer uma lista ‘instantânea’ (sem consultar nada, só o que me vem à cabeça) dos 10 filmes italianos que mais gosto. Cá vai:
1. Eclipse, Antonioni
e La Dolce Vita, Fellini
3. Outono escaldante, Zurlini
4. Bianca, Nanni Moretti
5. Os contos de Canteburry, Pasolini
6. Amarcord, Fellini
7. Verão violento, Zurlini
8. Identificação de uma mulher, Antonioni
9. Querido Diário, Nanni Moretti
10. O Mercenário, Damiani Damiano
Acabou por não sair (da cabeça; ou entrar, na lista) nenhum Argento, de quem gosto de vários filmes, para dar um ar de cinéfilo moderno daqueles que o ipsilon falava este fim-de-semana. Mas saiu (ou entrou) um western spaghetti, curiosamente não um Leone. Coisas.
terça-feira, 19 de maio de 2009
sábado, 16 de maio de 2009
O que ando a ler
quinta-feira, 14 de maio de 2009
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